Mês da Saúde do Pulmão - Um artigo sobre Cancro do Pulmão

Mês da Saúde do Pulmão - Um artigo sobre Cancro do Pulmão

Mês da Saúde do Pulmão - Um artigo sobre Cancro do Pulmão

Hoje, a Dra. Lilia Santos , Medica especialista em Pneumologia, (Cédula Profissional nº 54715) na Clínica Polidiagnóstico Marinha Grande, escreve-nos sobre o cancro que causa mais mortes a nível mundial, o Cancro do Pulmão.

O cancro constitui um grupo de doenças muito variado que pode afetar qualquer órgão do nosso corpo. O mais comum e que mais mortes causam em todo o mundo é o cancro do pulmão. Em Portugal, apesar de ser menos frequente que o cancro colo-retal, da mama e da próstata, o cancro do pulmão continua a ser o mais mortal, chegando a causar mais mortes que estes três tipos de cancro em conjunto.

Pensa-se que o aparecimento do cancro do pulmão se deva a uma interação entre fatores próprios do indivíduo e fatores exteriores. Os fatores próprios do indivíduo que podem predispor ao desenvolvimento de cancro do pulmão incluem a idade, predisposição genética/existência casos de cancro de pulmão na família, bem como a existência simultânea de outras doenças respiratórias como a tuberculose, a silicose, a fibrose pulmonar ou outras doenças que condicionem processos cicatrizantes no pulmão. Os fatores exteriores compreendem a exposição a poluição atmosférica (produtos de combustão dos veículos a motor, emissão de gases de máquinas industriais, fogões a lenha e lareiras), a gás radão, a amianto ou a fumo de tabaco.

O cancro do pulmão pode não dar sintomas até atingir fases muito avançadas do seu desenvolvimento e, não obstante, os seus sintomas podem ser confundidos com outras doenças, como infeções, ou interpretados como consequência de muitos anos de exposição ao fumo de tabaco, o que pode explicar a sua elevada mortalidade.

Muitas vezes, o cancro do pulmão pode manifestar-se por tosse. No entanto, uma vez que a tosse pode ser causada por inúmeras outras doenças e também porque os doentes são geralmente fumadores já com tosse há muitos anos, este sintoma nem sempre é valorizado. A tosse deve ser valorizada sempre que persista muito tempo ou modifique as suas características. Geralmente o que mais assusta o doente e o leva a procurar ajuda médica é quando essa tosse é acompanhada pela perda de sangue vivo pela boca, a chamada hemoptise ou expetoração hemoptoica.

Sintomas como falta de ar, chieira no peito/estridor localizados e de novo, rouquidão, dor constante no peito, ombros ou costas que não cede a analgésicos, podem também ser atribuídos ao cancro do pulmão. Também a ocorrência de infeções respiratórias de repetição ou que demoram a resolver deve levantar essa hipótese de diagnóstico.

Ainda não existem programas de rastreio validados para a deteção precoce do cancro do pulmão. Assim, o reconhecimento destes sinais e sintomas é fundamental para que seja feito um diagnóstico atempado, maximizando as possibilidades de tratamento bem-sucedido e, consequentemente, reduzindo a mortalidade. O diagnóstico compreende uma série de exames que nos permitem averiguar a existência de cancro do pulmão, caracterizá-lo através da colheita de uma amostra e saber em que fase de desenvolvimento se encontra. Todos estes dados são fundamentais para decidir qual o melhor tratamento a ser iniciado.

A exposição ao fumo de tabaco é a principal causa de cancro de pulmão, sendo responsável por 80% dos casos. O fumo do tabaco possui perto de 5 000 substâncias, e destas pelo menos 50 são capazes de provocar o cancro. Quanto mais se fuma, maior é o risco de desenvolver esta doença.

A melhor forma de prevenir o desenvolvimento de cancro do pulmão é evitar os fatores de risco modificáveis. Aqui tem especial importância a cessação tabágica. Nunca é tarde para parar de fumar, mesmo em doentes com cancro do pulmão diagnosticado, pois melhora a eficácia terapêutica, diminui algumas queixas, como a tosse e a falta de ar, e previne o aparecimento de outras doenças como a bronquite, os enfartes e outros cancros.

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